Setor especialista em exames de alta complexidade realizou mais de 2.500 exames em 2025
O Laboratório de Toxicologia Forense da Polícia Científica de Pernambuco (LABTOX) vem atuando de forma decisiva no esclarecimento de crimes e na produção de provas técnicas que orientam investigações em todo o Estado. Apenas em 2025, ele contabilizou 2.596 solicitações e resoluções de exames, número que evidencia o impacto direto do setor na eludição de investigações e processos criminais.
Conforme explica o perito Rafael Arruda, grande parte dessa demanda envolve acidentes de trânsito, que somaram 1.226 análises em todo o ano de 2025. Por determinação legal, todos os condutores envolvidos em sinistros devem ter amostras biológicas coletadas, e cabe ao Laboratório identificar a presença ou ausência de álcool, drogas ou outras substâncias psicoativas. Esse trabalho é fundamental para reconstruir a dinâmica de cada caso. “A toxicologia entrega respostas que não estão visíveis. Quando o vestígio não fala, é o nosso laudo que revela as circunstâncias que levaram ao acidente e contribui para que a investigação avance com rigor científico”, destacou o Arruda.
Outro eixo expressivo do Laboratório diz respeito ao esclarecimento de causas de morte. Nessa situação, em locais que não contém sinais evidentes ou vestígios externos, a toxicologia forense atua na identificação de possíveis compostos causadores do óbito, permitindo que o inquérito avance com respaldo jurídico e precisão nas conclusões médico-legais.

Como parte do enfrentamento à violência de gênero, o setor também possui atuação expressiva em ocorrências que envolvem substâncias incapacitantes, como no chamado “Boa Noite, Cinderela” – quando a vítima é induzida ao consumo de substâncias farmacológicas com finalidade criminosa – e em episódios de feminicídio envolvendo sedação prévia. Nesses casos, a análise laboratorial detecta quais entorpecentes foram administrados antes da agressão, revelando etapas ocultas da dinâmica criminosa e garantindo elementos essenciais para responsabilização dos autores. “Essas análises são fundamentais para reconstruir os eventos, porque cada molécula identificada orienta a narrativa dos fatos, aponta responsabilidades e permite que a verdade científica prevaleça onde o silêncio impera”, afirma o perito.
COMBATE AO METANOL – Episódios recentes que contaram com a presença do LABTOX envolveu a identificação e quantificação de metanol em amostras biológicas, em uma ação mobilizada a partir de uma parceria com a Secretaria Estadual de Saúde. Nesse processo, o núcleo ficou responsável pela análise de sangue de possíveis vítimas, suspeitas de terem feito a ingestão de bebidas adulteradas, tanto em observações clínicas (ante mortem) quanto em vítimas fatais (post mortem). Além disso, o setor já elucidou casos complexos de envenenamento intencional e intoxicações por arsênio, mercúrio e outros agentes químicos.